Se você é médico e já pesquisou sobre abertura de PJ, provavelmente esbarrou em uma resposta genérica: "vale a pena se você fatura mais de X". O problema dessa resposta é que ela ignora algo fundamental — o seu perfil de rendimento. Plantão, consultório, convênio e clínica entram em lugares diferentes da estrutura tributária.
Em vez de dar a resposta pronta, aqui vamos fazer a conta com três médicos reais (nomes trocados, números respeitados) e mostrar quando abrir PJ faz sentido — e quando não faz.
O cenário — e as três situações
Considere o seguinte: um médico brasileiro, dentro da tabela progressiva do IR, paga até 27,5% sobre a renda mensal que passar dos R$ 4.664,68 (valor da última faixa em 2026). Com INSS de 11% (teto), a tributação efetiva chega perto de 35% do bruto.
Agora compare com PJ: no Simples Anexo III, um médico consultor pode ficar com tributação próxima de 6% sobre o faturamento. No Lucro Presumido, entre 11% e 13,33%. A diferença é grande — mas abrir uma PJ tem custos fixos (honorários, DAS, contador), então só vale a partir de certo faturamento.
Caso 1 — Médico residente que faz plantão (R$ 15 mil/mês)
Dr. Lucas faz residência no SUS e complementa com plantões em um pronto-socorro particular. Bruto mensal de R$ 15.000.
- Como PF: paga ~R$ 2.400/mês em IR + INSS. Líquido de ~R$ 12.300.
- Como PJ no Simples: custo mensal total (DAS + honorários + pró-labore) gira em torno de R$ 1.700. Líquido de ~R$ 13.300.
- Ganho: R$ 1.000/mês = R$ 12.000/ano.
Vale a pena? Sim, mas o ganho é moderado. Em muitos casos, esperar a saída da residência (quando o faturamento cresce) faz mais sentido.
Caso 2 — Médico com consultório particular (R$ 40 mil/mês)
Dra. Paula tem consultório próprio e convênios. Bruto de R$ 40.000.
- Como PF: IR + INSS = ~R$ 8.400/mês. Líquido de ~R$ 31.600.
- Como PJ bem estruturada: tributação total ~R$ 2.800/mês (pró-labore otimizado + distribuição de lucros isentos). Líquido de ~R$ 37.200.
- Ganho: R$ 5.600/mês = R$ 67.200/ano.
Esse é o caso em que abrir PJ é quase obrigatório. O médico que não abre está, literalmente, regalando mais de meio salário para a Receita todo mês.
Caso 3 — Médico sócio de clínica com faturamento alto (R$ 80 mil/mês)
Dr. Felipe é sócio de uma clínica de especialidades. Pró-labore + distribuição de lucros totalizando R$ 80.000 por mês.
- Como PF (se recebesse tudo como assalariado): ~R$ 18.500/mês em IR + INSS.
- Como PJ (estrutura atual): ~R$ 4.800/mês em tributos. Líquido de ~R$ 75.200.
- Ganho: ~R$ 13.700/mês = R$ 164.400/ano.
Nesse perfil, o assunto não é "abrir PJ" — é otimizar a PJ existente. Muitos sócios de clínica têm estrutura montada, mas com desenho errado de pró-labore e distribuição, o que deixa dezenas de milhares na mesa.
Resumo: quando faz sentido?
Para a maioria dos médicos, o ponto de virada fica entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensais. Abaixo disso, pode valer esperar. Acima, o ganho costuma ser relevante — e só cresce com o faturamento.
Fazer a conta do meu casoE os custos? O que ninguém conta na planilha
Abrir e manter uma PJ tem três camadas de custo que a calculadora básica ignora:
- Custo de abertura: R$ 600 a R$ 1.200 (única vez).
- DAS / impostos mensais: 6% a 13,33% do faturamento, dependendo do regime.
- Honorários contábeis: R$ 350 a R$ 1.200/mês, dependendo da complexidade.
Na nossa experiência com +80 médicos atendidos, o ponto em que o ganho supera esses custos — e começa a valer claramente — é por volta de R$ 18 mil mensais. Mas isso varia bastante: médico com alto volume de despesas dedutíveis pode se beneficiar mais cedo.
Próximo passo
Em vez de seguir a regra geral, a resposta certa vem da conta do seu caso específico. É isso que fazemos na análise gratuita: olhamos o seu perfil, simulamos os três cenários (PF, Simples, Presumido) e mostramos o número líquido em cada um.
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